III. A SACRALIDADE DA VIDA

1. A VIDA É INVIOLÁVEL

A vida humana é sagrada por tratar-se de um ato criativo de Deus. Ele é o Autor e a fonte originária do fôlego da vida (Gn 2.7; Jó 12.10). O princípio de sacralidade assegura a dignidade da pessoa humana e a inviolabilidade do direito à vida (Sl 36.9; 90.12). O valor da vida, portanto, é absoluto e deve sobrepor-se a qualquer outro direito ou interesse (Jo 10.10).

Pesquisadores do tema asseguram que o “princípio da sacralidade da vida assegura o valor moral da existência humana e fundamenta diferentes mecanismos sociais que garantem o direito de estar
vivo”.

Contudo, a militância ideológica não reconhece que a sacralidade da vida está atrelada à santidade da vida, isto é, não
admite que a vida seja intocável por razões religiosas. Essa falaciosa distinção condena o homicídio de crianças já nascidas, mas defende o assassinato dessas crianças no ventre da mãe.

Nesse aspecto, Claudionor de Andrade (2017, p. 77) afirma: A Lei de Deus não faz distinção entre aborto e infanticídio. Tanto Faraó que
ordena a matança dos infantes hebreus, quanto a mulher que, por motivos fúteis, interromper a gravidez, quebrantam o sexto mandamento (Êx 1.22; 20.13). Por isso, não sejamos permissivos nem lenientes quanto ao crime. Defendamos a santidade da vida humana como dádiva divina.

Em contrapartida, o discurso extremista e contraditório da militância pró-aborto faz constantes e agressivos ataques de
desconstrução dos valores judaico-cristãos. O patrulhamento ideológico atua para amordaçar as vozes em contrário.
A cultura de cancelamento entra em ação toda vez que alguém ousa defender a absoluta inviolabilidade, sacralidade e santidade da vida.

Nancy Pearcey (2021, p. 118) adverte que:
Na cultura da morte, as divergências não são permitidas. Isso quer dizer que, algum dia, os profissionais médicos cristãos do mundo todo poderão ser forçados pela lei agir contra suas convicções bíblicas, ou perder o seu
emprego e fechar as suas instalações médicas.

Nessa perspectiva, o princípio de defesa da vida humana, desde a concepção no útero materno, não pode conter exceções. Somente
Deus tem poder sobre a vida e a morte (1 Sm 2.6).

Numa sociedade secularizada, o cristão precisa tomar cuidado com o relativismo, não
fazer concessões e estar alerta quanto às ações de manipulação da consciência e o desrespeito à vida humana
(2 Co 4.2; 1 Tm 4.1,2).

2. O COMEÇO DA VIDA

O profeta Jeremias é incisivo ao ensinar que a vida tem início na fecundação (Jr 1.5). O rei Davi corrobora que a pessoa é conhecida
e cuidada pelo Senhor desde a concepção (Sl 139.13a). Deus é quem forma o ser vivo dentro do ventre da mãe (Sl 139.13b,14). O
salmista afirma que o Senhor vê o embrião ainda informe e que o ama em todos os processos formativos da vida intrauterina, desde a fecundação até o nascimento e por toda a sua vida (Sl ٩٣١.٥١,16).

O pastor Elinaldo Renovato (2002, p. 44) assevera: A Bíblia nos informa sobre a origem da vida. Diz o Gênesis: “E formou o
Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn 2.7).

Depois que o homem estava formado, pelo processo especial da combinação das substâncias que há na terra, o Criador lhe soprou o fôlego da vida, dando início, assim, à vida humana. Entendemos, com base nesse fato que, cada ser que é formado, a partir da fecundação, o sopro de vida lhe é assegurado pela lei biológica estabelecida por Deus.

Keith Moore (2008, p. 16) leciona:
O desenvolvimento humano inicia-se na fecundação, quando um gameta masculino, ou espermatozoide, se une ao gameta feminino, ou ovócito, para formar uma única célula – o zigoto. Esta célula totipotente e altamente
especializada marca o início de cada um de nós como indivíduo único.
O zigoto, visível a olho nu como um pequeno grão, contém os cromossomos e os genes (as unidades de informação genética) derivados da mãe e do pai.

Por conseguinte, de acordo com as Escrituras e corroborados pela embriologia, professamos que a vida começa quando ocorre a união
do gameta masculino ao feminino. Essa nova célula é um ser humano e possui identidade própria, e, portanto, o seu direito de nascer não pode ser interrompido por vontade, desejos ou caprichos humanos (Dt 32.39; Rm 9.20).

3. A POSIÇÃO CRISTÃ

A igreja que mantém o princípio teológico da autoridade bíblica (2 Tm 3.16) defende a dignidade humana, a sacralidade e a
inviolabilidade da vida desde a sua concepção. Ensina que a vida humana é sagrada em todas as etapas do desenvolvimento do ser
vivo e que não pode ser violada por nenhum tipo de cultura (1 Sm 2.6). Ratifica que toda ideologia que seculariza os princípios bíblicos
deve ser combatida (2 Tm 3.8).

Nesse sentido, a posição das Assembleias de Deus no Brasil foi assim exarada:

“a CGADB é contrária a essa medida [aborto], por resultar numa licença ao direito de matar seres humanos indefesos, na sacralidade do útero materno, em qualquer fase da gestação, por ser um atentado contra o direito natural à vida” (Carta de Brasília, 41ª AGO, 2013).
Em 6 de agosto de 2018, esse posicionamento foi ratificado por ocasião de audiência pública no Superior Tribunal Federal (STF), perante a ministra Rosa Weber, relatora da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF ٢٤٤), que pretende legalizar a interrupção voluntária da gravidez até a 12ª
semana de gestação.

O conjunto das argumentações das Assembleias de Deus divide-se em quatro pontos:

1) porque o direito à vida não pode e não deve
ser violado;

2) porque o abortamento está em desacordo com a moral razoável dos brasileiros;

3) porque a matéria é de
competência legislativa;

e 4) porque o aborto faz apologia à cultura
da morte. E, por fim, invoca-se a autoridade bíblica para afirmar que a Palavra de Deus diz: “não matarás o inocente” (Êx 23.7).

CONCLUSÃO

A gestação e a procriação do ser humano são bençãos divinas (Gn 9.7). A concepção de Cristo no ventre de uma virgem certifica a
sacralidade da vida intrauterina. A interrupção da vida em qualquer fase da gravidez é uma agressão ao direto inviolável de nascer. A
valorização da dignidade humana, o direito à vida e o cuidado à pessoa vulnerável são princípios imutáveis do cristianismo (Jo
10.10). Acerca do assunto, a Bíblia assegura que Deus é o autor e o detentor da vida humana (Jó 12.10).

*Fonte, livro de apoio às lições bíblicas adultos, CPAD, 3° trimestre 2023.
Comentarista: Pr. Douglas Baptista.

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