EXISTIA BATISMO INFANTIL NA IGREJA PRIMITIVA ?

O batismo cristão é precedido pela conversão, que é o ato humano de se voltar do pecado para Deus em arrependimento e fé, e seguido pela regeneração, que é o ato divino de perdão dos pecados e purificação e renovação interior. A origem apostólica de crianças no batismo é negado não apenas pelos batistas, mas também por muitos pedobatistas.(1)
Os batistas afirmam que o batismo infantil é contrário à ideia do próprio sacramento e, portanto, uma corrupção antibíblica. Pois o batismo, dizem eles, pressupõe necessariamente a pregação do evangelho por parte da igreja, e arrependimento e fé por parte do candidato à ordenança; e como os bebês não podem entender a pregação, nem se arrepender e crer, eles não são assuntos apropriados para o batismo, que é destinado apenas a adultos convertidos. É verdade que o Novo Testamento não contém nenhuma ordem expressa para batizar crianças; tal comando não concordaria com o espírito livre do evangelho. Tampouco havia qualquer batismo infantil obrigatório ou geral antes da união da igreja e do estado. Mas ainda menos o Novo Testamento proíbe o batismo infantil; como se poderia esperar, em vista do costume universal dos judeus, admitir seus filhos por circuncisão no oitavo dia após o nascimento na comunhão da antiga aliança.
Tertuliano, escreveu uma obra sobre batismo (De Baptismo) em que se posiciona totalmente contra esse uso. No mesmo período, Cipriano de Cartago, em quem Agostinho vai se apoiar bastante para criar sua teoria, defenderá o batismo dos infantes. Orígenes, também do terceiro século, se dirá igualmente favorável, mas admitindo que o pedobatismo era, em seus dias, uma coisa que causava “frequentes questionamentos entre os irmãos”. (2) Agostinho, usando de retórica e aproveitando o grande respeito e influência que exercia sobre os líderes da igreja em seus dias, acabou impondo seu posicionamento.
Contudo, não havia unidade inicial para quem deveria ser destinado o batismo, alguns Pais colocavam que as crianças deveriam, tal como Justino e a Irineu, no qual o primeiro diz que havia cristãos desde a infância acompanhando ele, e o segundo usa o batismo de crianças numa alegoria espiritual, e outros que entendiam que apenas os adultos em razão da missão e por conta da visão sacramental deles.
O historiador Phillip Schaff diz que: “o batismo infantil não tem sentido e sua prática é uma profanação, exceto na condição de paternidade ou tutela cristã e sob a garantia de uma educação cristã. E precisa ser completado por um ato de consagração pessoal, no qual a criança, após a devida instrução no evangelho, confessa inteligente e livremente a Cristo, dedica-se ao seu serviço e é então admitida solenemente à plena comunhão da igreja e ao sacramento da Santa Ceia. Supõe-se que os primeiros vestígios de confirmação sejam encontrados na prática apostólica de impor as mãos, ou transmitir simbolicamente o Espírito Santo após o batismo.”(3)
Referências:
(1) Schaff, Philip, History of the Christian Church , (Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc.) 1997. Vol. I. § 54. Batismo.
(2) JEWETT, Paul King, Infant Baptism and the Covenant of Grace, Grand Rapids: Eerdmans, 1978, p. 30.
(3) Schaff, Phillip. Ibid
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