A MULHER VIRTUOSA



Nestes dias do mês de março, fala-se muito da mulher. Nos ambientes mais religiosos crescem os elogios, às vezes fabricados, da mulher virtuosa. A base? Provérbios 31. A palavra até é boa, mas não traz nem de perto a plenitude do original. Será que original a mulher é “virtuosa”?

O hebraico diz (v.10) ‘eshet hayil, literalmente “mulher guerreira”. É impressionante. Trata-se da mesma palavra que descreve o exército do faraó (Ex 14.28). O termo aparece também em Rute (3.11). As diversas versões tentam traduzir: esposa exemplar (NVI), mulher de caráter nobre (NLT), mulher de valor (Semeur), eficiente (Lutero revisada). Não há palavra perfeita. Exemplar, de valor e eficiente captam bem a ideia da palavra hebraica.

A descrição da mulher de Pv 31 quebra todas as polarizações e estereótipos: a mulher tem filhos, cuida da casa, ama o marido, é muito produtiva, é uma executiva, é costureiras, é sábia e mestra, e faz comércio como ninguém. É uma mulher plena. Não é refém de uma peculiaridade. Na Bíblia vemos a guerreira Débora, a profetiza Hulda, as ativistas filhas de Zelofeade e a mãe Maria. A verdade é que não existe mulher. Existem mulheres. Cada uma com seu perfil, com valor e dignidade. A tentação de tanta gente é “limitar” a mulher dentro de um perfil que a deixa pequena. Que pena! Facilita o controle e o juízo sobre elas. Na Bíblia, bem compreendida, existe a mulher plena, que não se torna refém de uma descrição que distorce a cena. Deus abençoe as mulheres, bem além de virtuosas, bem mais valorosas.

Texto de Luiz Sayão

Graça e Paz!


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