EXEGESE PENTECOSTAL DE ROMANOS 8

Conforme entendido por Paulo, a história redentora começa na eternidade (Deus anteviu) e, por fim, também termina na eternidade (Deus glorificou) (Rm 8.29, 30). À medida que escreve sobre o plano de salvação, que começa e termina na eternidade, ele identifica cinco ligações em uma cadeia da história redentora. Assim, as antevisões de Deus trabalham em conjunto com suas predestinações, que juntas trabalham com as atividades divinas de chamar, justificar e glorificar. Essa cadeia quíntupla de salvação não é totalmente abrangente, e sim representativa e ilustrativa. O estudioso bíblico reconhece que Paulo poderia ter identificado ligações alternativas e/ou adicionais da cadeia. Por exemplo, ele poderá ter construído sua cadeia de ligações como Deus deseja, ele redime e/ou reconcilia, e ele ressuscita os mortos. Um ponto dessa observação é a cautela que o intérprete bíblico deverá ter sobre atribuir status absolutos a esses termos. Eles tornam a salvação extremamente limitada. De modo geral, Paulo escreve sobre os propósitos eternos de Deus usando diversas linguagens que acrescentam nuances igualmente importantes à doutrina da salvação.
A tabela a seguir identifica as palavras gregas subjacentes às traduções com as quais os estudiosos estão tão acostumados. A tabela ilustra que Paulo expressa seu entendimento teológico da ampla variedade da terminologia da língua grega habitual e rotineira do povo comum. Ele não usa linguagem esotérica, técnica ou sagrada que somente os ‘iniciados’ poderiam entender. Por exemplo, as duas primeiras ligações da cadeia da salvação, ‘ele anteviu (proegnō) e ele predestinou (proōrisen)’, descrevem o processo inicial da salvação na eternidade. No entanto, nenhum leitor de Paulo tem qualquer quadro de referência para entender palavras sobre eternidade. Isso é particularmente verdade para o termo ‘proōrisen’, que é tradicionalmente traduzido pela palavra ‘predestinado’, mas essa escolha é equivocada e não se justifica no contexto em que Paulo escreve. Nessa estrutura contextual de referência, predestinação diz respeito a estar ‘conformado à imagem de Cristo’ (8.29), e nas demais partes, ao eleito ser ‘adotado como filho’ (Ef 1.5). Esses dois contextos indicam que Deus determinou antecipadamente tratar como filhos adultos aqueles que iria justificar. Nesses contextos, a predestinação não tem ligação alguma com o Deus dos calvinistas que predestina alguns pecadores ao céu e outros ao inferno.
Roger Stronstad; Teologia Bíblica Pentecostal. De Gênesis a Apocalipse: momentos decisivos da história da redenção. Natal: Editora Carisma, 2020, p. 271-72.
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